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terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Dia Internacional da Ética: reflexões sobre a corrupção no Brasil


Celebrado em 23 de fevereiro, o Dia Internacional da Ética convida à reflexão sobre os valores que sustentam sociedades justas. No Brasil, contudo, a data expõe um paradoxo: enquanto discursos políticos e institucionais enaltecem a integridade, a corrupção persiste como um câncer estrutural, minando a confiança nas instituições e aprofundando desigualdades.

Segundo o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2024 da Transparência Internacional, o Brasil registrou 34 pontos e a 107ª posição entre 180 países. Trata-se da pior nota e da pior colocação do país na série histórica do índice, iniciada em 2012. 

O dado revela não apenas a perpetuação de esquemas ilícitos, mas a normalização da corrupção como parte do cotidiano. Operações como a Lava Jato, que há anos expuseram redes bilionárias de desvio, não foram suficientes para alterar essa percepção. Pelo contrário: a politização da justiça, o enfraquecimento de órgãos de controle e a impunidade de figuras poderosas reforçam a ideia de que a ética é um conceito flexível para elites.

A crítica central reside na desconexão entre leis e práticas. O Brasil possui um arcabouço jurídico robusto: Lei Anticorrupção, Lei da Ficha Limpa, Lei de Acesso à Informação, mas sua aplicação é seletiva. Grandes corporações e políticos investigados raramente enfrentam consequências concretas, enquanto cidadãos comuns são penalizados por infrações menores.

Essa dualidade alimenta o cinismo social: 83% dos brasileiros consideram a corrupção "um problema grave", segundo o Barômetro Global da Corrupção (2023), mas apenas 37% acreditam na eficácia de denúncias.

A corrupção também se entrelaça com desigualdades históricas. Desvios em obras públicas, por exemplo, privam comunidades periféricas de saneamento e educação, perpetuando ciclos de exclusão. Não por acaso, o IPC mostra que países com menor corrupção, como Dinamarca e Nova Zelândia, são também os mais igualitários.

Neste Dia Internacional da Ética, urge reconhecer que combater a corrupção exige mais que leis: demanda transparência radical, educação cívica desde a infância e pressão social constante. É preciso desnaturalizar a ideia de que "todo mundo rouba" e resgatar a ética como alicerce, não como retórica vazia. Enquanto a integridade for commodity de discursos, e não prática cotidiana, o Brasil seguirá tropeçando em sua própria hipocrisia. 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Agenda ESG: Aspectos históricos e projeções até 2025

 



A Agenda ESG (Environmental, Social, and Governance) surge como uma evolução de debates globais sobre sustentabilidade e ética, consolidando-se como um pilar estratégico para governos, empresas e sociedade.

Seus fundamentos remontam ao pós-Segunda Guerra Mundial, com a criação da ONU (1945) e a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), que estabeleceram bases éticas para a cooperação internacional.

Na década de 1970, a Conferência de Estocolmo (1972) marcou o primeiro esforço multilateral para discutir questões ambientais, enquanto a Rio-92 ampliou essa pauta, integrando desenvolvimento sustentável à agenda global.

Nos anos 1990 e 2000, a governança corporativa ganhou destaque com a criação do IBGC (1995) no Brasil e a Convenção Anticorrupção da OCDE (1999), reforçando transparência e integridade. Em 2004, o Pacto Global da ONU incentivou empresas a adotarem práticas alinhadas a direitos humanos, trabalho justo e meio ambiente. No Brasil, a Lei Anticorrupção (2013) e o Código de Governança do IBGC (2015) fortaleceram a accountability corporativa.

O termo ESG ganhou força em 2020, durante o Fórum Econômico Mundial, quando stakeholders reconheceram que riscos ambientais (como mudanças climáticas), sociais (desigualdade) e de governança (corrupção) são indissociáveis da economia. A pandemia de COVID-19 acelerou essa conscientização, pressionando empresas a adotarem métricas ESG transparentes.

De 2021 a 2025, a agenda ESG tornou-se obrigatória em muitos contextos. Em 2023, a União Europeia aprovou o CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive), exigindo relatórios detalhados de impacto socioambiental. No Brasil, o Banco Central implementou a Resolução 175 (2024), vinculando concessão de crédito a critérios ESG. Até 2025, espera-se:

§ Padronização global de métricas: Com a convergência de frameworks como GRI, SASB e TCFD.
§ Regulação climática: Implementação de taxas de carbono e metas líquidas-zero vinculantes.
§ Tecnologia e ESG: Uso de blockchain para rastrear cadeias sustentáveis e IA para monitorar riscos sociais.
§ Enfase em "S" (Social): Combate à desigualdade e promoção de diversidade como indicadores-chave.
§ Governança antigreenwashing: Mecanismos rigorosos para evitar falsas alegações sustentáveis.

Contudo, desafios persistem, como a falta de harmonização regulatória e resistência de setores tradicionais. A TNFD (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures), lançada em 2021, busca integrar biodiversidade aos riscos financeiros, tendência que se consolidará até 2025.

Em síntese, a Agenda ESG é fruto de um legado histórico de diálogos multilaterais e pressão por equidade. Seu futuro dependerá da capacidade de transformar princípios em ações mensuráveis, alinhando lucratividade à responsabilidade planetária e social.

Referência:

CRUZ, Augusto. Introdução ao ESG: meio ambiente, social e governança corporativa. - 1ª ed. - São Paulo, Scortecci, 2021. 

FILOSOFAR

 

Oh, jovem estudante, vem desvendar,
Este manual é um portal pra voar!
Conhece a ti, o outro, o mundo, a vida,
Com a razão crítica, o logos a guiar!

Cada página é um passo, um questionar,
Éticas, verdades, o que é libertar?
Desafia certezas, abre tua mente,
No diálogo com o outro, a chama está à frente!

Filosofar é libertar, é pensar, é duvidar, é SER!
É a luz no caminho do saber!
Das cavernas ao digital, a chama não vai apagar,
Pois quem pensa vive além de olhar!

Lógica, estética, fé, epistemologia,
Ciência e filosofia, juntas na sinfonia!
Quebram ilusões, dogmas a ruir,
Homem e natureza, um novo porvir!

Dizem que é ilusão, que o mundo não precisa,
Mas sem perguntas, a ética desliza...
Oh, ouve o passado! Sócrates clama:
"Pensar é respirar, é salvar a alma!"

Filosofar é libertar, é pensar, é duvidar, é SER!
É a luz no caminho do saber!
Das cavernas ao digital, a chama não vai apagar,
Pois quem pensa vive além de olhar!

Jovem, sê audaz! Não temas duvidar,
O manual é teu mapa pra navegar!
Na complexidade, ergue teu voo,
Filósofo-cidadão: o futuro é teu now!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Resolução nº 305/2025: Integridade como Pilar da Gestão Pública

 


Em 11 de fevereiro de 2025, entrou em vigor a Resolução nº 305, publicada pelo Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, que:

“Institui as diretrizes para atuação dos membros, e para o desenvolvimento de políticas pelas unidades do Ministério Público Estadual, pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, para a adoção de medidas preventivas em prol da defesa da probidade administrativa, em especial, o incentivo à implantação de Programas de Integridade perante os órgãos da administração público”.

A resolução surge como resposta à necessidade de fortalecer a transparência, o combate à corrupção e a promoção de uma cultura ética no serviço público, alinhando-se a compromissos internacionais como a Convenção da ONU contra a Corrupção.

A resolução determina que todas as instituições públicas federais, incluindo autarquias, fundações e empresas estatais, elaborem e mantenham atualizados seus Planos de Integridade, com metas progressivas até 2027.

Os planos devem incluir mecanismos de gestão de riscos, canais de denúncia protegidos, treinamentos periódicos em integridade para servidores e a designação de comitês internos responsáveis pelo monitoramento das ações.

Um avanço significativo é a exigência de que os planos sejam integrados a sistemas de governança digital, permitindo auditorias em tempo real e maior acesso público às informações.

A relevância dos Planos de Integridade, destacada ao longo da resolução, está em sua capacidade de prevenir desvios antes que ocorram, em vez de apenas puni-los. Ao identificar vulnerabilidades, como conflitos de interesses, falhas em licitações ou uso indevido de recursos, a norma busca criar uma estrutura proativa de compliance.

Além disso, a resolução vincula o repasse de verbas federais à adesão às regras, o que pressiona entes burocráticos a modernizarem suas práticas.

Outro ponto crucial é o caráter educativo dos planos. A obrigatoriedade de capacitações anuais, com módulos sobre ética, transparência e responsabilidade fiscal, visa transformar a mentalidade institucional.

Para especialistas, essa abordagem é um contraponto à histórica cultura de impunidade, ao promover a accountability não apenas como norma, mas como valor internalizado.

A Resolução nº 305 também inova ao prever colaboração interinstitucional. Órgãos de controle, como a CGU e o TCU, terão acesso centralizado aos dados dos planos, facilitando a fiscalização cruzada. 

Para a sociedade, a medida amplia a possibilidade de acompanhamento, já que relatórios de implementação serão publicados em portais oficiais.

Em um contexto de desconfiança crônica nas instituições, a resolução reforça que integridade não é um custo, mas um investimento na credibilidade do Estado. Se aplicada com rigor, pode ser um marco na construção de uma administração pública mais íntegra e eficiente, condição essencial para a democracia.

 



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

NR-01 e compliance na gestão de riscos psicossociais



A Norma Regulamentadora 01 (NR-01) revisada estabelece que todas as empresas devem incluir riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). 

Isso significa que, além dos riscos físicos, químicos e biológicos, agora é necessário monitorar e prevenir fatores que possam impactar a saúde emocional dos colaboradores.

Assim, a norma chama atenção à necessidade de implementação pelas empresas de Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), contemplando: 
- Aspectos da saúde mental; 
-Treinamentos e capacitação de gestores para identificação precoce de sinais de sobrecarga emocional; 
- Criação de canais internos de acolhimento e suporte para os colaboradores; 
- Adoção de políticas que promovam um ambiente organizacional equilibrado, com incentivo a pausas e melhor distribuição de demandas.
O objetivo dessa regulamentação não é apenas cumprir exigências legais, mas proteger a empresa e seus colaboradores, criando uma estrutura que favoreça um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Expandindo a agenda ESG em Niterói: estratégias e resultados da implementação do Programa Municipal de Certificação de Boas Práticas em Neutralização de Carbono

 




Resumo

O Programa Municipal de Certificação de Boas Práticas em Neutralização de Carbono, fruto da parceria entre a Secretaria Municipal do Clima de Niterói e a Controladoria-Geral do Município, é uma iniciativa que visa promover uma economia de baixo carbono na cidade. Como um dos resultados do Previne Niterói, surgiu da necessidade de expandir a agenda ESG relacionada à neutralização de carbono em diversos setores produtivos. O objetivo é auxiliar as micro, pequenas e grandes empresas na sensibilização de atividades para redução de emissões de Gases de Efeito de Estufa, sugerindo boas práticas de mitigação, adaptação à eventos climáticos extremos e compensação de suas emissões. A metodologia aplicada foi estruturada em cinco etapas que vão da conscientização à certificação das empresas pela adoção de boas práticas em neutralização de carbono. Os resultados incluem a certificação de várias empresas, dois prêmios e a aprovação para concorrer ao prêmio Prefeito empreendedor do SEBRAE.

Palavras-chave: sustentabilidade, economia verde, governança, neutralização de carbono, certificaçâo.

Aotores:
Luciano Gagliardi Paez
Arlindo Nascimento Roch




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