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quarta-feira, 19 de julho de 2023

O impacto das políticas ESG nos próximos 50 anos

 

Nos últimos anos, tem havido um crescente reconhecimento do papel crucial das práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) no mundo dos negócios. As empresas têm percebido que abraçar os princípios ESG não apenas beneficia a sociedade e o meio ambiente, mas também tem um impacto positivo em suas próprias operações e sustentabilidade a longo prazo. 




Nos próximos 50 anos, é provável que o foco nas práticas ESG se torne ainda mais central para o sucesso e a relevância das empresas.


Em primeiro lugar, as questões ambientais ganharão ainda mais destaque. Com a crescente preocupação global em relação às mudanças climáticas e à degradação ambiental, as empresas terão que se adaptar e mitigar seus impactos. Aquelas que forem líderes em inovação sustentável e redução de emissões estarão bem posicionadas para ganhar a confiança dos consumidores e dos investidores, além de garantir uma vantagem competitiva significativa.


Em relação às questões sociais, as empresas enfrentarão uma pressão cada vez maior para garantir a equidade, diversidade e inclusão em suas operações e em suas cadeias de fornecimento. A sociedade estará mais atenta às práticas trabalhistas e aos direitos humanos, e as empresas que não priorizarem essas questões podem enfrentar boicotes e danos à reputação.


A governança também será fundamental. A transparência, a prestação de contas e a ética nos negócios serão mais valorizadas do que nunca. As empresas que adotam uma governança sólida terão maior probabilidade de atrair investidores e manter a confiança do público.


Além disso, a regulamentação relacionada às práticas ESG provavelmente se tornará mais rígida, com governos e órgãos reguladores de todo o mundo estabelecendo requisitos mais rigorosos para as empresas. Isso poderia incluir a divulgação obrigatória de informações ESG, o cumprimento de metas ambientais e sociais específicas e a imposição de penalidades mais severas para empresas que não estejam em conformidade.


As empresas que abraçarem proativamente as práticas ESG terão uma vantagem significativa. Elas atrairão talentos mais qualificados, aumentarão a lealdade dos clientes e atrairão investidores preocupados com o impacto social e ambiental de suas decisões. Além disso, a gestão de riscos será mais eficaz, pois a consideração cuidadosa dos fatores ESG pode ajudar a evitar crises e danos financeiros.


Em suma, nos próximos 50 anos, o impacto da ESG nas empresas será transformador. O sucesso sustentável dependerá cada vez mais da capacidade das empresas de alinhar seus objetivos com o bem-estar da sociedade e do planeta. Aqueles que resistirem a essas mudanças correrão o risco de ficarem para trás e perderem a relevância em um mundo cada vez mais consciente e comprometido com a sustentabilidade.

 

terça-feira, 18 de julho de 2023

Dez curiosidades sobre o "ESG"

 



1. ESG é uma sigla que representa os termos Environment (Ambiente), Social (Social) e Governance (Governança) em inglês. Esses critérios são usados para avaliar a sustentabilidade e o impacto de uma empresa ou investimento.

2. A abordagem "ESG" busca integrar considerações ambientais, sociais e de governança nas estratégias de negócios e investimentos, visando a criação de valor sustentável no longo prazo.

3. Os critérios ambientais referem-se ao impacto da empresa no meio ambiente, como a gestão dos recursos naturais, a eficiência energética, as emissões de gases de efeito estufa e a gestão de resíduos.

4. Os critérios sociais incluem fatores como as práticas trabalhistas, a diversidade e inclusão, a segurança dos funcionários, os direitos humanos, a responsabilidade social corporativa e o relacionamento com as comunidades locais.

5. Os critérios de governança avaliam a estrutura de governança da empresa, a independência do conselho de administração, a remuneração dos executivos, a transparência financeira e o combate à corrupção.

6. A abordagem "ESG" vem ganhando destaque no mundo dos investimentos, à medida que mais investidores procuram considerar os impactos ambientais e sociais das empresas em suas decisões.

7. Empresas que adotam práticas "ESG" podem se beneficiar financeiramente, pois a sustentabilidade e a responsabilidade social são cada vez mais valorizadas pelos consumidores e investidores.

8. As classificações "ESG" podem variar de acordo com as agências e organizações responsáveis pela avaliação. Alguns exemplos de agências renomadas são a MSCI, a Sustainalytics e a Dow Jones Sustainability Indices.

9. A divulgação de informações "ESG" é cada vez mais exigida por órgãos reguladores e investidores, visando a transparência e a prestação de contas das empresas.

10. A abordagem "ESG" não se limita apenas às empresas, mas também se estende a fundos de investimento, bancos, seguradoras e outras instituições financeiras, que estão adotando critérios "ESG" em suas estratégias e políticas de investimento.

 

quinta-feira, 13 de julho de 2023

O que significa 'Governança Corporativa'?

Ao falar de “Governança corporativa”, Cruz (2021), ressalta que, “temas como: responsabilidade, comunicação, ética, disciplina, transparência, equidade e prestação de contas, forçosamente serão tratados”.

No livro "Introdução ao ESG", Cruz compila várias definições de diferentes autores que, apesar de suas nuances distintas, convergem para uma compreensão semântica comum do conceito de governança corporativa. O autor, por meio dessa síntese, esclarece o objeto central desse conceito.


Governança Corporativa é: 

1. “A soma das diversas formas pelas quais as pessoas e as instituições públicas ou privadas, fazem a gestão de seus problemas ou assuntos comuns. É um processo contínuo pelo qual é possível acomodar interesses divergentes, diversos e conflitantes, e realizar ações corporativas” [Comissão de Governança Global].

2. “O conjunto de princípios, práticas, regras explícitas e normas tácitas que regem os relacionamentos entre acionistas, conselheiros, executivos e colaboradores que determinam propósito, valores, cultura, estratégia, modus operandi e estilos de liderança predominantes na organização” [Alexandres Di Miceli da Silva].

3. “A guardiã dos direitos das partes interessadas como um sistema de relações pelo qual as empresas são dirigidas e monitoradas, por se tratar de uma estrutura de poder interna e um sistema normativo que cuida das relações internas e externas das sociedades” [Rossetti e Alexandre].

4. “O conjunto de mecanismos de convergência de interesses de atores direta ou indiretamente impactadas pelas atividades das organizações” [Sleifer; Vishny].

5. “O conjunto de práticas que tem por finalidade otimizar o desempenho de uma companhia, protegendo investidores, empregados e credores, facilitando assim, o acesso ao capital” [Edson Cordeiro da Silva].

6. “Um sistema pelo qual uma corporação ou instituição é dirigida, monitorada e incentivada, a partir da forma como se relaciona com seus stakeholders” [Instituto Brasileiro de Governança Corporativa].

7. “O conjunto de práticas com o objetivo de otimizar o desempenho de uma companhia ao proteger todas as partes interessadas, facilitando o acesso ao capital” [Comissão de Valores Mobiliários].


Em suma, a partir dessas citações pode-se concluir que Governança Corporativa é a gestão dos problemas e interesses comuns, a partir de princípios, regras e normas que regem as relações entre acionistas, executivos e colaboradores. Ela protege os direitos das partes interessadas, promove a convergência de interesses e otimiza o desempenho da organização, facilitando o acesso ao capital. É um sistema de relacionamento com stakeholders.

Referência. 

CRUZ, Augusto. Introdução a ESG: meio ambiente, social e governança Corporativa. - São Paulo. - Scortecci, 2021 

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Implementação de Programas de Integridade no Setor Público

 


A implementação de Programas de Integridade no setor público é uma medida fundamental para promover a transparência e a ética nas instituições.

Os Programas têm como objetivo prevenir a ocorrência de práticas corruptas e garantir a integridade dos processos, tomadas de decisão e aumentar a eficiência dos atos administrativos.

Para implementar Programas de Integridade no setor público , é necessário adotar uma abordagem abrangente e sistemática.

A primeira etapa é realizar uma análise detalhada das necessidades e desafios específicos do setor público em questão. Isso envolve identificar as áreas mais suscetíveis à corrupção e entender as práticas e normas já existentes.

Com base nessa análise, é possível definir os objetivos e metas do programa de integridade. Isso inclui estabelecer diretrizes claras e políticas de conduta ética, bem como elaborar um código de ética que oriente o comportamento dos servidores públicos.

Além disso, é importante criar mecanismos de controle e monitoramento para garantir a efetividade do programa. Isso pode incluir a realização de auditorias internas e externas, a implementação de canais de denúncia e a criação de comitês de ética responsáveis por avaliar e deliberar sobre possíveis violações.

A capacitação e conscientização dos servidores também são aspectos cruciais para a implementação bem-sucedida de programas de integridade. É essencial oferecer treinamentos regulares sobre ética e integridade, destacando a importância desses valores para o serviço público.

Por fim, é fundamental estabelecer um ambiente organizacional que valorize a integridade e puna efetivamente os desvios de conduta. Isso requer uma cultura organizacional sólida, com lideranças comprometidas e processos disciplinares transparentes.

Em suma, a implementação de programas de integridade no setor público é uma estratégia essencial para promover a transparência e combater a corrupção. Para que esses programas sejam efetivos, é necessário realizar uma análise detalhada, estabelecer diretrizes claras, criar mecanismos de controle, capacitar os servidores de forma continuada.

 

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Destruição ambiental


 
O vídeo "Man" do ilustrador e animador Steve Cutts é uma crítica social que aborda diversas questões ambientais preocupantes.

O vídeo retrata a forma como o homem tem impactado negativamente o planeta, explorando recursos naturais de forma descontrolada e destruindo habitats naturais. Uma das principais críticas ambientais abordadas no vídeo é a degradação do meio ambiente causada pela poluição.

O vídeo mostra diversas cenas de fábricas lançando fumaça tóxica no ar e rios sendo contaminados por resíduos industriais. Além disso, também é abordada a destruição de florestas e a perda de biodiversidade, mostrando animais em extinção e ambientes naturais sendo substituídos por construções urbanas.

Outra crítica importante é a exploração desenfreada dos recursos naturais, representada no vídeo pelo desmatamento de forma indiscriminada e pela pesca excessiva.

A busca pelo lucro e o consumismo desenfreado são retratados como fatores que alimentam essa destruição ambiental.

Portanto, o vídeo de Cutts oferece uma reflexão contundente sobre as principais críticas ambientais enfrentadas pela humanidade.

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=WfGMYdalClU 

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Por que é importante ter uma "comissão de compliance" eficaz?



A comissão de compliance é um componente essencial da governança corporativa e do gerenciamento de riscos em organizações de todos os tamanhos e setores.

Diversos autores têm destacado a importância de uma comissão de compliance efetiva para garantir o cumprimento de leis e regulamentações, a proteção da reputação da empresa e a prevenção de comportamentos antiéticos ou ilegais.

Um dos autores que fala sobre isso é Jay C. Thibodeau, em seu livro Corporate Compliance Checklists: Tools for Effective Compliance (Listas de verificação de conformidade corporativa: ferramentas para conformidade eficaz).

Segundo ele, a comissão de compliance é responsável por garantir que a empresa esteja em conformidade com leis e regulamentações, bem como por estabelecer políticas e procedimentos claros para lidar com questões de conformidade.

Thibodeau destaca ainda que a comissão de compliance deve ser independente e ter acesso direto ao conselho de administração para garantir a transparência e a eficácia do programa de compliance.

Outro autor que destaca a importância da comissão de compliance é Stephen A. Weisbrod, em seu artigo The Role of the Compliance Committee in Risk Management (O papel do Comitê de Conformidade na Gestão de Riscos).

Weisbrod argumenta que a comissão de compliance desempenha um papel fundamental na identificação e gerenciamento de riscos em uma organização. Ele enfatiza que a comissão de compliance deve trabalhar em estreita colaboração com outras áreas da empresa, como finanças, recursos humanos e jurídico, para garantir que o programa de compliance abranja todos os aspectos da organização.

Além disso, Rebecca Walker e Kaitlyn Pehrson, em seu artigo The Importance of Compliance Committees: a Case Study (A importância dos comitês de compliance: um estudo de caso), relatam um estudo sobre a implementação de uma comissão de compliance em uma empresa.

Elas destacam que a comissão de compliance foi crucial para estabelecer uma cultura de conformidade na organização, aumentar a conscientização sobre questões de compliance e reduzir a incidência de comportamentos antiéticos ou ilegais.

Em resumo, a comissão de compliance é essencial para:

    (i) Garantir a conformidade com leis e regulamentações;

    (ii) Gerenciar riscos, proteger a reputação da empresa;

    (iii)Promover uma cultura de ética e conformidade.

Diversos autores destacam a importância de uma comissão de compliance independente e eficaz, com acesso direto ao conselho de administração e trabalho em colaboração com outras áreas da organização.

#integridade
#compliance 
#comissão de compliance 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Torna-te aquilo que és


"Torna-te aquilo que és.” Nietzsche

“Grande, no homem, é ele ser uma ponte e não um objetivo: o que pode ser amado, no homem, é ser ele uma passagem e um declínio” Nietzsche.
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Por: Priscilla Rocha 
11/11/2022


As duas traduções mais comuns para Übermensch são super-homem e além-do-homem; nenhuma delas é perfeita, mas as duas trazem a ideia de superação, de o homem ir além de si mesmo, pois os valores universais, espalhados no mundo, estão em crise e além de qualquer “salvação”. 

Somos seres humanos, e assim continuaremos, e vivenciamos tempos polarizados, chegamos ao extremo da massificação e uniformização passamos por uma pandemia, e também existe, o medo, a insegurança, mas há esperança e perseverança para além de coragem e precisamos ainda mais estudar, entender a necessidade humana de abertura para o diálogo, o respeito, a empatia, a ética, a integridade e a tolerância entre os homens em sua procura incessante pelo transcendente, ou de forma mais simples, pelo seu melhor. 

O valor dos valores deve ser (re)visto, (re)aprendido na sociedade com tantas morais afloradas de como devemos ser e viver...

Para Nietzsche, super-homem não é uma forma superior de homem, mas é aquele que deixa a forma homem para trás, se desfaz desta casca que se tornou demasiadamente apertada, em palavras resumida expande-se, se arrisca a (re)aprender... 

Zaratustra aconselha ao homem mergulhar dentro de si para encontrar a potência necessária para declinar, deixar esta forma velha e empoeirada e criar novos valores.

Pavimentando o Caminho para uma gestão pública eficiente é o mais novo livro do meu companheiro de caminhada Ar Lindo Rocha , o qual tenho orgulho e admiração, além é claro de muito amor. Um homem pascaliano, mas com contornos nietzschianos, e este livro nasceu de seu mergulho dentro de si em busca de sua potência...

Pavimentando o Caminho para uma gestão pública eficiente não tem a pretensão de ser um guia de como fazer ou ser, jamais! É apenas uma coletânea de artigos de suas inquietações, seu aprendizado, comprometimento e experiência no setor público, caminho que ele mesmo diz nasceu de uma possibilidade dessa vida paradoxal que vivemos, e não lhe faltou coragem de ir adiante e aprender mantendo sempre sua humanidade e integridade.

Para mim em especial que vi cada artigo nascer, mas antes disso presenciei o estudo, a ‘devoção’, o relegere, isto é, o (re) ler, a (re) visitar, o (re) interpretar (...) e a busca por opiniões sólidas e ideias edificantes. Vi o autor crescer como ser humano, repensar sua vida, seu caminho e seus objetivos. 

Vi alicerçar sua família, dia a dia, e estimular cada um ao seu redor a ser melhor. Não pensem que as palavras foram doces, pois quando se tem em si, uma revolução conceitual, ou seja, o desejo de autotransformação, de aprofundamento e de escolha de uma nova visão sobre questões que ainda não foram absolutamente esgotadas, as reflexões, por vezes, inquietam e desestabilizam. 

Mas, a grandeza maior é que não há julgamentos, não há ganhadores, há apenas discussões, interpretações, problematizações e depois o religar-se, ou seja, o verbo transitivo que pressupõe: o atar, o apertar, o ligar bem, ou simplesmente tornar a ligar, ligar ainda melhor.

Vi a coragem de abordar temas fundamentais para o desenvolvimento de gestores e sua gestão... Escrever sobre accountabilitity, hard e soft skills, governança, gestão de riscos, compliance, ética, deontologia aplicada aos governos e ter como base, alicerce um exemplo de gestão e gestores em Niterói, exemplo este nacionalmente conhecido.

Que todos possam querer ler Pavimentando o Caminho para uma gestão pública eficiente, o livro consegue ter leveza na escrita, rapidez, multiplicidade e exatidão nos artigos, consistência no conteúdo e traz visibilidade a nossa Niterói, pelo exemplo e comprometimento de como a gestão é realizada por seus gestores, e foi este exemplo que arrastou Arlindo ao seu mergulho nos estudos para submergir com cada artigo aqui compilado.

Que leiamos! A melhor forma de transcender como ser humano, aprender a refletir, contribuir com argumentos, sem julgamentos, e dia a dia tentar ser um ser humano melhor na busca pelo essencial, e não apenas comercial e superficial.

Muitos, com razão, devem questionar: o que significa ser um ser humano melhor? Eu respondo: Apenas ser melhor, fazendo a diferença na vida das pessoas, não julgando, apenas contribuindo com novas reflexões com empatia, respeito, fé e acima de tudo amor. E no caso dos gestores: apenas trabalhando com comprometimento alicerçado na ética, integridade, coragem e muita perseverança, e Niterói tem grandes exemplos a serem seguidos no Brasil!

Boa Leitura!



A obra está disponível no site da Editora Autografia 



Parabéns
Arlindo Rocha!

ARTIGOS - IX Encontro Brasileiro de Administração Pública (IX EBAP)

 

No dia 30/11/2022, foram publicados dois artigos que escrevi em parceria com a Controladora Geral do Município de Niterói Cristiane Mara. Foi uma excelente oportunidade de continuar aprendendo e expandindo meus conhecimentos, pesquisando temas no âmbito da Administração Pública, realçando o que se tem feito de inovador no Município de Niterói.

Obrigado pela oportunidade e por outras que hão de vir!

Segue os links dos artigos:

ARTIGO 1. "Controle de despesa pública: um modelo prático a ser implementado por Estados e Municípios" - Disponível em: https://sbap.org.br/ebap/index.php/home/article/view/556

ARTIGO 2 - "Previne Niterói: Implementando Planos de Integridade e Compliance nos Órgãos e Entidades da administração direta e indireta do município de Niterói". Disponível em: https://sbap.org.br/ebap/index.php/home/article/view/561


terça-feira, 25 de outubro de 2022

Pavimentando o caminho para uma gestão pública eficiente: Coletânea de ensaios



“A coletânea de artigos é fruto de meses de trabalho e dedicação do autor, que voluntariamente compartilhou conosco todo seu conhecimento e experiência de atuação no setor público”. Abordando temas fundamentais para o desenvolvimento de gestores, tanto do setor público quanto do privado, Arlindo escreveu com maestria sobre accountability, hard e soft skills, governança, gestão de riscos, compliance, ética e deontologia aplicados aos governos, mostrando que independentemente da natureza de atuação ou do porte da organização, tais assuntos são imprescindíveis para melhor performance da máquina pública.

Contudo, este compilado vai além de uma troca de experiências entre gestores públicos, mas contribui ricamente com a academia e com todo o acervo de estudos e boas práticas que desenvolverão uma nova geração de burocratas, mais especializada, moderna, plural e, acima de tudo, mais humana e inclusiva.”

Ana Mendonça
Gestora de políticas públicas
Editora-chefe do Blog do Colab.

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ROCHA, A. N. Pavimentando o caminho para uma gestão pública eficiente: Coletânea de ensaios. -1ª edição. - Autografia, 2022




sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Pavimentando o caminho para uma gestão pública eficiente: Coletânea de ensaios

Reflexões preliminares

“Quando tudo parece ir contra você, lembra-se
de que o avião decola contra o vento, não a favor dele.”

Henry Ford

Empreendedor e engenheiro mecânico
norte-americano, fundador da Ford Motor Company.

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É muito fácil sermos atraídos por coisas triviais que nos fazem perder o foco com o que realmente importa. Por isso, precisamos estabelecer prioridades, ou melhor, hierarquizar e harmonizar nossos pensamentos e nossas ações, pois, o gran­de equívoco do ser humano é julgar-se conhecedor de tudo.

Essa é uma pretensão que, certamente, não agradaria ao mestre Sócrates, julgando pela máxima atribuída a ele: “só sei que nada sei” que significa, literalmente, o reconhecimento da própria ignorância. Não de uma ignorância qualquer, mas de uma ‘douta ignorância’, ou seja, de uma pré-disposição mental em relação à procura do conhecimento.

Para isso, nada melhor do que começar pelo autoconheci­mento. Isso já era uma prática na Grécia antiga, se levarmos em conta a máxima “conhece-te a ti mesmo” atribuída à primeira pitonisa do oráculo de Delfos. Essa máxima, certamente, é o ponto de partida para a construção de todo o conhecimento, ou seja, é o sésamo capaz de abrir o horizonte do mais exigente saber. Ainda que não sirva para encontrar a verdade absoluta, servirá ao menos, para regular nossas atitudes face aos desa­fios impostos por uma sociedade cada vez mais líquida, como diria Zygmunt Bauman.

Esta sociedade em decadência vai na contramão do pro­gresso cultural, científico e econômico das últimas décadas. Cunhada por muitos como ‘sociedade do conhecimento’, pa­radoxalmente, nos empurra, de novo, rumo ao obscurantismo, à miséria e à pobreza do pensamento, contrariando o ideal da Idade das Luzes, cuja pretensão era, segundo Kant, a emanci­pação intelectual e o progresso, ou seja, a saída do homem da menoridade por si mesmo em plena liberdade.

A pretensão kantiana, certamente, está em franco desmo­ronamento, pois, tudo leva a crer que as opiniões simplistas e o crescente império das ideologias deixam pouco espaço à le­gitimação do conhecimento. Para contrariar essa marcha rumo ao abismo, precisamos abrir as portas da nossa mente, pois, a experiência nos mostra que estamos constantemente apren­dendo. Para isso, a receita já foi dada pelo psicanalista Augusto Cury, segundo o qual, não existem mentes impenetráveis, ape­nas chaves erradas.

O conhecimento, como diz o velho ditado, não ocupa es­paço, é ilimitado, renovável e reciclável. O que é limitada é a nossa razão que gostaria de ter acesso às verdades absolutas, mas é constantemente enganada pela imaginação ou outras ‘potências enganadoras’. Mesmo assim, devemos acreditar, segundo a cientista polonesa, Marie Curie que temos talento para alguma coisa, e que essa coisa, custe o que custar, deve ser alcançada.

Então, cabe a cada um acompanhar as transformações na mesma velocidade com que acontecem. Por isso, o citado dita­do tornou-se uma expressão tão ‘popular’ que nos faz ter certe­za de que não existem barreiras intransponíveis para o conhe­cimento quando este transcende os limites disciplinares.

No entanto, é preciso ter claro o que definimos como conhe­cimento. A esse respeito o escritor inglês, Aldous Huxley não deixa dúvidas. Segundo ele, conhecimento não é aquilo que se sabe, mas o que se faz com aquilo que se sabe, ou seja, o im­pacto que se pode provocar nos outros através daquilo que co­nhecemos e partilhamos.

Nos Ensaios dessa coletânea, ao contrário de uma aborda­gem excessivamente disciplinar, privilegiei uma abordagem interdisciplinar como forma de aguçar a capacidade reflexiva dos leitores e, certamente, preencher algumas lacunas do pen­samento técnico ‘mutilado’ pela especialização. No entanto, ao reuni-los em uma única obra sugiram vários questionamentos:

1. Os conteúdos abordados nos Ensaios foram bem ela­borados?

2. Alguém ligado à administração pública aceitará fazer o prefácio da obra?

3. Alguma editora aceitará o desafio de publicar uma obra escrita por alguém cuja formação acadêmica pouco ou nada se relaciona com os temas tratados nos Ensaios?

Logo cheguei à conclusão que, para escrever um texto coe­rente e com qualidade desejável, não precisa ser especialista na área. Aliás a hiperespecialização, como uma das marcas da ciência moderna, na verdade vem contribuindo para uma visão míope e provincianista em detrimento de uma visão ampla e universalizante, ou seja, capaz de enxergar por vários ângulos os problemas que assolam nossa atual sociedade, e, em parti­cular, a administração pública. Nesse aspecto, a linguagem, por vezes, excessivamente técnica dificulta a compreensão, pois, torna-se uma ‘língua estranha’ e pouco acessível para quem não está imerso nesse quadro circunstancial dos conceitos.

Desta forma, o tecnicismo longe de tornar-se a estratégia mais adequada para transmissão e aquisição de saberes, re­vela-se ‘castradora’, pois, em vez de criar pontes entre o ‘des­conhecido’ e o ‘conhecido’, em verdade, estabelece barreiras epistemológicas intransponíveis. Por esse motivo, a metodolo­gia que privilegiei, foi inspirado nos escritos de Hilton Japias­su, mais concretamente na obra O sonho transdisciplinar. Nela o autor propõe que o conhecimento interdisciplinar, ou melhor, transdisciplinar deve implicar uma visão transcultural, ou seja, o estudo e a compreensão da sociedade e suas estruturas sem barreiras disciplinares.

Para finalizar, convido a todos a navegarem pelas páginas dessa coletânea. A leitura é uma ótima ferramenta para o apri­morando e, sobretudo, para a revisão de determinados con­ceitos e práticas. Reitero, uma vez mais a máxima de Thoreau, segundo o qual, muitos iniciam uma nova era em suas vidas a partir da leitura de um livro. Não que eu seja tão pretensioso a ponto de querer mudar a vida de alguém, mas, se conseguir, pelo menos, incentivar a cada leitor a ter um novo olhar sobre as questões abordadas, os Ensaios terão cumprido seu papel.

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Rocha, Arlindo Nascimento. Pavimentando o caminho para uma gestão pública eficiente: Coletânea de ensaios / Arlindo Nascimento Rocha. - Rio de Janeiro, RJ: Autografia, 2022.
122 p. ; 15,5x23 cm
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